Preâmbulo
Desde o início do milénio, visito a Grã-Bretanha. Em Glastonbury, resgatei o meu vínculo com Avalon. Tenho experiência de estar plenamente presente em muitos dos locais mais enigmáticos, naturais e consagrados das Ilhas Britânicas.
Em meados dos anos noventa, aos quatorze anos, eu firmei a profunda intenção de os visitar, fruir e honrar. Foi lá que me alinhei com a minha Essência. Não poderia ter tido melhor formação intrínseca. A Natureza, os monumentos megalíticos, os artefactos antigos e as obras de Arte sempre foram as minhas fontes tangíveis de conexão ancestral.
Desde o início do milénio e durante os anos seguintes, integrei grupos de mulheres de vários países, em périplos de treze dias pelo sudoeste de Inglaterra, Dartmoor em Devon, e do norte ao sul da Cornualha. Eu fui a participante mais jovem e, como esperado, a única portuguesa nos grupos e eventos. Quando em Maio de 1999 fiz a inscrição para a minha primeira jornada de Lammas, eu não imaginava que estaria várias vezes presente, até de forma inesperada, na qualidade de co-facilitadora e rosto da Sacred Journeys for Women, no website!


Mists of Avalon Sacred Journey
Fomos aos lugares mais conhecidos e aos mais recônditos. Em Somerset, o nosso refúgio era EarthSpirit Retreat & Centre, na base de Lollover Hill, no témenos do Vale de Avalon. No Main Hall, fomos recebidas pelo Dragão. O encanto da pedra tradicional e do antiquíssimo madeiramento de carvalho davam ao Apple Loft a ambiência de um quarto na árvore. Estivemos presentes em edições da Glastonbury Goddess Conference, quando o Goddess Temple era efémero e, depois, quando encontrou uma morada permanente no andar superior de um edifício do Glastonbury Experience Courtyard. Tivemos acesso integral a Stonehenge, visitas privadas a Chalice Well e The Roman Baths. Os nossos farewell dinners realizaram-se na elegante Pump Room, com música de piano ao vivo.
Apesar das estadias e refeições maravilhosas, os percursos não eram fisicamente nem emocionalmente suaves. Fizemos muitas caminhadas e foi sempre difícil ter de deixar locais que nos tocaram profundamente. Chorei, com nostalgia de tempos que sempre recordei. Quis permanecer quando tive de partir. Vi mulheres lesionarem-se em trilhos sinuosos. Nesses momentos, em que nos apoiámos de forma incondicional, fomos meninas, mães e avós, cuidando e sendo cuidadas. Durante os nossos rituais, invocámos as druidesas, profetisas, sacerdotisas, curandeiras, benzedeiras, bruxas tradicionais, e necromantes em cada uma de nós e nas nossas ancestrais.
O riquíssimo itinerário não era rígido. De ano para ano, a ordem dos eventos teve alterações. Nunca faltaram surpresas, lugares que não esperávamos conhecer e percursos pedestres por charnecas, bosques e vales. Os dias eram longos e bem vividos, fizesse sol ou chuva, mas também o luar alumiou os nossos passos, nas colinas de Somerset e nos círculos de pedra da Península de Land’s End.
O nosso meio de transporte era uma carrinha compacta, para circular por estradas rurais que davam acesso a muitos dos sacred sites mais remotos. Quem nos conduzia tinha sido um dos responsáveis pela pesquisa e definição do itinerário, como se lê na nota biográfica, mais adiante. Depois das jornadas sagradas, intercaladas com uma vivência solitária e profundamente iniciática para mim, no sul da Cornualha e em Glastonbury, ele veio a tornar-se o meu amigo e companheiro britânico e foi uma das razões do meu retorno recorrente à Grã-Bretanha e da minha permanência em Mount’s Bay, ao longo da década.


Facilitadoras e Colaboradores
A companhia de peregrinações femininas, criada em 1996 na Califórnia, teve as colaborações da renomada autora Mara Freeman, minha mentora e anamcara da Tradição de Mistério Céltica e Britânica, que fundou a Avalon Mystery School; da autora Kathy Jones, a co-criadora e nossa anfitriã na Glastonbuy Goddess Conference; do autor Michael Dames, especialista em Pré-História Britânica; de Joan Marler, fundadora do Institute of Archaeomythology, discípula e biógrafa autorizada de Marija Gimbutas; da autora córnica Cheryl Straffon, criadora das revistas Meyn Mamvro e Goddess Alive.
Teve ainda o contributo de várias cerimonialistas, como Jessica Montgomery e Amantha Murphy; artistas como e Jennifer Berezan; Vicky Noble e Karen Vogel, criadoras do Motherpeace Tarot; De’Anna L’am, criadora dos programas comunitários “Red Moon” e pioneira do movimento “Red Tents“, as “Tendas Vermelhas”, entre várias outras pessoas. Contámos, também, com uma participação excecional de Geoffrey Ashe MBE FRSL, historiador cultural britânico, que foi uma sumidade em assuntos arturianos e autor de King Arthur’s Avalon: The Story of Glastonbury. De seguida, deixo algumas notas biográficas publicadas no website oficial da Sacred Journeys for Women, do qual permanecem todos os registos na Wayback Machine dos Internet Archives.












“These ancient places are no longer museum pieces, they are part of spiritual life again. The earth energies, fairies, earth spirits, stones, they are here to work with us to heal the Earth.”
Starhawk, durante a Glastonbury Goddess Conference.
Galeria, Photo Journal
Créditos: Todas as fotografias são de filmes fotográficos impressos, anteriores a 2005, sem recurso a telemóveis. Por Stephanie Hamberger.




















































