Desde muito jovem, fiquei imersa em leituras acerca das Mitologias das Ilhas Britânicas, do Ciclo Arturiano da Matéria da Bretanha, e dos Celtas. Iniciei um percurso na Tradição Britânica de Mistério, graças ao legado de Dion Fortune.

Nasci em Lisboa, no final da década de 1970, como Andreia Silva de Morais. Cresci em redor da Serra da Lua, perto da Sintra romântica e tranquila do século passado. Vivi lá até aos vinte e cinco anos, mas sou profundamente nortenha.

O meu caminho de vida tem a sua razão de ser na minha ancestralidade céltica e em vivências precoces na Grã-Bretanha. O noroeste das minhas densas raízes luso-galegas e os horizontes britânicos são o meu lar espiritual e as minhas origens.

Toda a minha família direta e endogâmica tem berço numa ancestral aldeia raiana, na Serra do Larouco, que pertenceu a Vilar de Perdizes. Temos linhagens do Barroso, antepassados galegos e densas raízes em Trás-os-Montes, no Minho, em Ourense e Pontevedra.

Tenho mais de duzentos e cinquenta ascendentes identificados. Nasceram todos a norte do rio Douro! Somos d’além. Descendo de gaélicos do século XVII que se refugiaram na Galiza e de um banqueiro produtor de seda de Turim, no Piemonte, com ancestralidade do Languedoque.

Em criança, descobri a Irlanda graças a uma viagem familiar a Dublin e à cidade monástica de Glendalough, nas montanhas de Wicklow. Em meados dos anos noventa, aos catorze anos, firmei a intenção de ir a Glastonbury, Somerset, e à Cornualha. Fiz a inscrição para as minhas primeiras jornadas iniciáticas na Grã-Bretanha em Maio de 1999, aos dezanove anos.

No início do milénio e durante vários anos, participei em jornadas de grupo que contavam com várias mentoras, autores e precursoras da Arqueomitologia. Contemplei locais periféricos e pouco divulgados e os mais conhecidos. Fizemos visitas privadas e sem restrições a Stonehenge, The Roman Baths e Chalice Well & Gardens.

Depois das jornadas iniciáticas de grupo, regressei sozinha, com estadias recorrentes em diferentes locais de Somerset, Sussex e Devon. Passei temporadas na magnética Península de Land’s End, que parte visível da região submersa que é o lendário Reino de Lyonesse.

Durante a minha primeira visita a Chalice Well, enquanto em solitária quietude junto ao poço, fui amadrinhada. Regressei à minha essência. Mais do que a universidade, onde terminei os estudos académicos, eu reconheci a minha verdadeira Alma Mater. Soube que a minha vocação é a Magia Sagrada.

Dei um salto para o desconhecido e fui levada pela mão, para testemunhar um poder que continua a ser manifesto.

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close