« So at long last I found that the vessel of the Holy Grail was in the beginning, the tomb in the garden of our destiny, but the ‘tree of life’ springs out of it, the stars for fruit. The vitalizing rays of the ‘true Sun’ are caught in this cauldron of our Universe and all creation is redeemed. Here is the symbolic tomb of ‘the mysteries’ leading to the resurrection and eternal life, a message down the ages – “As from beyond the limit of the world. Like the last echo born of a great cry.” »
Katherine Emma Maltwood (1878 – 1961), and quote from “The Passing of Arthur”, Idylls of the King, by Alfred, Lord Tennyson, in The Enchantments of Britain: King Arthur’s Round Table of the Stars, p. 96. Victoria Printing and Publishing Co., 1944

Desde muito jovem, fiquei imersa em leituras acerca das Mitologias das Ilhas Britânicas, do Ciclo Arturiano da Matéria da Bretanha, e dos Celtas. Iniciei um percurso na Tradição Britânica de Mistério, graças ao legado de Dion Fortune.
Nasci em Lisboa, no final da década de setenta, como Andreia Silva de Morais. Cresci em redor da Sintra romântica e tranquila do século passado. Em Seteais, tornei-me cavaleira e percorri caminhos da montanha. Vivi lá até aos vinte e cinco anos, mas sou profundamente nortenha. Estou nas alturas a norte do Tejo, entre árvores onde corvos e milhafres-pretos fazem ninho. Mochos-galegos observam, enquanto raposas caçam e javalis se reúnem ao anoitecer.
Em criança, descobri a Irlanda dos meus antepassados gaélicos, graças a uma viagem familiar a Dublin e à cidade monástica de Glendalough, nas montanhas de Wicklow. The Celtic Twilight foi o meu primeiro contacto com os contos de fadas, os contos folclóricos e as tradições recolhidas por W. B. Yeats e Lady Gregory.

Toda a minha família direta e endogâmica tem berço na Serra do Larouco, numa ancestral aldeia raiana, que pertenceu a Vilar de Perdizes. Temos linhagens do Barroso, tanto de Montalegre como de Boticas, antepassados galegos e vastos ramos de Trás-os-Montes, do Minho, de Ourense e Pontevedra.
Tenho mais de duzentos e cinquenta ascendentes identificados. Nasceram todos a norte do rio Douro! Somos d’além. Descendo de gaélicos do século XVII que se refugiaram na Galiza e de um banqueiro produtor de seda de Turim, no Piemonte.
O meu caminho de vida tem a sua razão de ser na minha ancestralidade céltica e em vivências precoces na Grã-Bretanha. O noroeste feérico das minhas densas raízes luso-galegas e os horizontes britânicos são o meu lar espiritual e as minhas origens. Em meados dos anos noventa, aos catorze anos, firmei a intenção de ir a Glastonbury, em Somerset, e à Cornualha.

Fiz a inscrição para as minhas primeiras Sacred Journeys na Grã-Bretanha em Maio de 1999, aos dezanove anos. Durante vários anos, até 2004, participei nas Sacred Journeys, que contaram com mentores da Tradição Britânica de Mistério. Contemplámos sacred sites periféricos e pouco divulgados. Fizemos visitas privadas e sem restrições a Stonehenge, The Roman Baths e Chalice Well & Gardens.
Sozinha, tive vivências iniciáticas no Sudoeste Britânico, na Cornualha e em Glastonbury, durante as quais fui guiada e protegida. Ao longo da década, passei temporadas em Somerset, Sussex, Devon, e na magnética Península de Land’s End.
Durante a minha primeira visita a Chalice Well, enquanto em solitária quietude junto ao poço, fui amadrinhada. Regressei à minha essência. Mais do que a universidade, onde terminei os estudos académicos, eu reconheci a minha verdadeira Alma Mater. Soube que a minha vocação é a Magia Sagrada.

Aos vinte e um anos, depois de sete anos de História da Arte e uma licenciatura no âmbito das Artes Visuais, senti-me livre! Nas Ilhas Britânicas, dei largas à paixão pela Pintura Pré-Rafaelita, pela Arte Neolítica e pela Arte Celta La Tène Insular da Éire, de Ynys Môn e das Lake Villages, perto de Glastonbury. Estas aldeias lacustres, nos Levels de Somerset, eram reminiscentes do povoado celta onde surgiu a cultura La Tène, nas orlas do lago Neuchâtel, na Suiça.
Dei um salto de fé e sou levada pela mão, para testemunhar um poder que sempre conheci e que é manifesto. Sigo sob a orientação da autora e anamcara Mara Freeman, colaboradora das Sacred Journeys. Ela fundou a Avalon Mystery School, em 2003.
Nunca recebi sacramentos religiosos. Reconheci um chamamento inequívoco e confiei na providência de Danú, das forças cósmicas, das mais altas esferas celestiais, e das águas divinas que brotam do interior da Terra, refletem a luz, percorrem todos os seres e se elevam aos céus, em neblinas etéreas.
Escrita, estudos e pesquisas…

A Tradição Céltica dos Mistério e a Magia Sagrada pedem circunspeção. O meu caminho é o de contacto direto com os planos interiores, não se tratando apenas de estudo, leitura e investigação. Dion Fortune, Katherine Maltwood, Gareth Knight, e a minha mentora Mara Freeman, escreveram de forma magistral acerca destes domínios. Na minha escrita tenho abordado outros assuntos.
O mundo dos livros…
Gosto muito de escrever, em vários formatos, mas desde criança prefiro ler e pesquisar. Eu cresci e vivi ligada ao meio editorial e livreiro, mais de trinta anos. Durante décadas, o meu pai dirigiu a distribuição e as livrarias de um grupo editorial com muita tradição. Frequentou as feiras do livro internacionais, para selecionar títulos e adquirir direitos. Participava ao mais alto nível no histórico evento anual Conference for Official Publications of the European Communities, em vários países. Bibliófilo, conviveu com vários escritores.
Foi graças a ele que cresci com uma biblioteca que me deu acesso precoce a livros acerca de astrologia, perceção extrassensorial, manuais com baralhos de Tarot e conjuntos de runas, que eram difíceis de encontrar em Portugal, devido aos preconceitos em relação às Artes Divinatórias e ao Oculto em geral.


Aos doze anos, ofereceu-me As Tribos de Danu, a edição nacional de The Celtic Twilight. Seguiram-se edições britânicas de livros do Ciclo Arturiano e da Matéria da Bretanha, mas também acerca dos Celtas no contexto de História das Religiões. Eu trabalhei para algumas editoras e colaborei na nossa livraria independente, que existiu no centro de Lisboa. Há muitos anos que continuamos a comunicar, através do Véu.
Eu e o Paganismo…
Tenho interesses leigos nos Estudos Esotéricos académicos e em Teologia, “ismos” e “teísmos”. No passado, recorri a publicações académicas de Estudos Pagãos, mas também a livros dos historiadores Ronald Hutton e Philips Heselton. Procurei entender as interseções improváveis entre o Esoterismo, o Ocultismo, as ordens mágicas, e o panorama criativo, festivo e performático do Paganismo contemporâneo, que encontrei na Grã-Bretanha, no início do milénio.
Os Estudos Pagãos são uma área académica multidisciplinar que pensa, discute, e estuda o fenómeno do Paganismo, enquanto categoria distinta e independente dos Novos Movimentos Religiosos. Não pode existir proselitismo, porque o objetivo não é promover o Paganismo, nem ser um fórum de aprendizagens pagãs, dirigido por pagãos.

Observo livremente algumas celebrações sazonais, evocativas da Cultura Celta, e aflorei o Reconstrucionismo Religioso, mas eu sempre soube perfeitamente que não sou pagã, nem por sincretismo nem por oposição às religiões abraâmicas, às quais nunca pertenci. Não usaria essa palavra para me definir. Desde a Antiguidade, paganus provém de uma perspetiva imperialista, proselitista, urbana e, em séculos recentes, também eurocêntrica. O Paganismo é uma categoria com a qual não me identifico e que uso por mera conveniência.
O meu primeiro blogue foi Divina Mens – Mente Divina. Inicialmente, era dedicado ao Cultus Deorum, dos meus ancestrais itálicos, que procurei honrar e integrar na minha raíz céltica. Mantive o blogue entre 2015 e 2019, mas a partir de 2016, as minhas vivências na Grã-Bretanha, os Celtas, a Ancestralidade, a Lenda Arturiana, a Cornualha, Tintagel e Glastonbury ganharam primazia, em detrimento de quaisquer outros assuntos.
Para trás ficaram as minhas simples práticas enquanto cultrix iniciante. Ficou claro que aquele blogue estava desajustado e não me representava. Por isso, terminou em 2019. Alguns registos encontram-se em arquivo público e os textos existem nos meus ficheiros pessoais.
Regresso à essência…

Sou céltica, por heranças e afinidade espiritual. Avaloniana e arturiana, com devoções profundas, observo ritmos subtis e sempre estive predestinada, por vocação e convite, à Magia Sagrada, na Tradição Céltica de Mistério. Em Junho de 2020, criei o blogue Avaloniana, Arthurian and Celtic Mysteries, em inglês. Em plena gestação do Guilherme e com o Artur pequenino não continuei, mas o meu website atual tem esta raíz.
Entretanto, completei uma década de pesquisas genealógicas e voltei a escrever em português, acerca de Herança Céltica e Ancestralidade. São âmbitos centrais nos meus textos, para além da Tradição Céltica da Antiguidade e da Lenda Arturiana.
Importei para o atual website as publicações do blogue Avaloniana e trouxe dos meus ficheiros algumas do meu primeiro blogue, Divina Mens – Mente Divina. Estão datadas e identificadas. Os textos escritos a partir de 2022 nunca tinham sido publicados. Para ler, em Textos.
As minhas pesquisas…
Tenho vindo a alargar o meu entendimento do fenómeno migratório celta, na Antiguidade, e do êxodo gaélico para a Galiza, nos séculos XVI e XVII. Este interesse emergiu da necessidade premente de descobrir mais acerca das minhas ascendências gaélicas, devido à intuição profunda acerca da natureza ocultada dos meus antepassados luso-galegos.

A realização de um teste genético de ancestralidade revelou a presença significativa de genes das etnicidades irlandesa, galesa e escocesa nos meus resultados. Contemplei através de um novo prisma a história das minha raízes nortenhas, em particular a minha ascendência direta raiana, barrosã, e a luso-galega, que é muito pronunciada.
Aos trinta e sete anos engravidei de forma independente. Ao tornar-me mãe do Artur, senti uma motivação suplementar para aprofundar as minhas noções acerca de etnicidades genéticas e para legar aos meus filhos o registo mais detalhado possível da genealogia materna.
O enigma foi clarificado e com as revelações surgiu o chamamento para partilhar o que tenho vindo a aprender, na esperança de poder alumiar o caminho de outras pessoas, que partilham interesses e ancestralidade.
« In the centre of this, ‘the holiest erthe in Englande’ rises the most pagan of hills. For the Tor keeps its spiritual freedom. It has never cried: ‘Thou has conquered, O Galilean.’ »
Dion Fortune (Violet Mary Firth), Glastonbury: Avalon of the Heart
A dança dos Gigantes Celestiais…

Eu sou introspectiva e estou naturalmente predisposta para empreender pesquisas longas, de forma meticulosa e obstinada. Pressinto o que está escondido, ou é dissimulado, e espero o tempo que for preciso por uma revelação. Guio-me pela intuição e pela sensitividade medianímica. A minha aprendizagem é muito instintiva e espontânea, sobretudo, na forma como acedo aos recursos de que necessito.
A minha mente é de pensamentos profundos e necessita de liberdade, em vez de ideologias. Eu internalizo e processo tudo, para evitar falhas de discernimento. Nunca adoto repertórios idealistas ou religiosos e não aceito pontos-de-vista de ânimo leve. Questiono filosofias, crenças e dogmas, permanentemente. Tenho boa memória e revisito o passado. Quando finalmente me pronuncio, procuro fazê-lo com assertividade, fundamentação e, sempre que se justifique, apresentando provas recolhidas ao longo de muito tempo.
Completei o Curso Tecnológico de Design, licenciei-me em Design Visual, aos vinte e um anos, e frequentei o Curso Superior de Design de Interiores. Aprendi ballet, desde os três anos, e um pouco de bharatanatyam. Para mim, a Arte e a Estética são fonte de prazer e têm dimensão sagrada. Permitem-me a conexão mágica com a eterna memória ancestral. Partilho as minhas realizações, para que outras pessoas possam beneficiar delas. Tenho um apurado senso de detalhe, organização e Serviço.
« The Zodiac Giants of Somerset correspond with the Stars of their respective Celestial Constelations »
Katherine Emma Maltwood (1878 – 1961), British artist, author, and visionary mystic.
A Guide to Glastonbury’s Temple of the Stars, 1934
Destaque: The Chalice Well Gardens, 1915. ©Ø
Fotografias: Dierna Danú, por ordem descendente: 2014, 2022, 2001, 2022, 2022, “Reflexo” 2014, aos sete meses da segunda gravidez 2020, no meu lar 2022. © All Rights Reserved. Em Stonehenge, Julho 2001, Stephanie Hamberger © All Rights Reserved.
Fundos: Arcading on the inside of the south wall of St. Joseph’s Chapel [St. Mary’s Chapel] at Glastonbury ©Ø; St. Mary’s or (St. Joseph’s) Chapel Glastonbury Abbey, Walter Scott, Bradford, c.1950; Vesica Piscis cover, design de Frederick Bligh Bond, Walter Scott, Bradford, c. 1959; CC BY-NC-ND 4.0 DEED; The Glastonbury Zodiac, mapa, página do livro A Guide to Glastonbury’s Temple of the Stars, Katherine Maltwood (1878 – 1961), 1934; Tor Hill, Glastonbury, RP Postcard by Judges, postcard 18239.
